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Azores – Ilha do Faial

1960

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Publicado por em Outubro 26, 2013 em Faial

 

Praia de Porto Pim

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Praia de Porto Pim - Horta

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“O Monte da Guia, na ilha do Faial, penetra mar dentro separando a baía da Horta da de Porto Pim. O melhor miradouro é o da Ermida da Guia (século XVIII), donde, virando as costas ao mar, se dominam Porto Pim, à esquerda, a Horta e respetivo porto, à direita. Se rodar 180º, verá a ilha do Pico, transposto o canal.

As características especiais do Monte da Guia do ponto de vista paisagístico fizeram com que fosse classificado Área de Paisagem Protegida em 1980. no extremo sul existe uma pequena baía interior conhecida pela Caldeira do Inferno.

Porto Pim é um pitoresco aglomerado de pescadores que ganhou o seu lugar na literatura mundial, graças a Herman Melville e a António Tabucchi. A partir de meio do século passado, as frotas baleeiras, sobretudo norte-americanas, começaram a aportar aqui, para reabastecer e contratar tripulantes, dada a têmpera dos remadores e arpoadores açorianos. No romance “Moby Dick”, Melville inspirou-se nos pescadores faialenses que conheceu para construir a personagem de Daniel. Já Tabucchi dedicou o livro às mulheres de Porto Pim.

Do alto monte, talvez lhe chame a atenção, do lado poente do aglomerado, um troço de muralha. Trata-se do Portão Fortificado de Porto Pim (século XVII). A praia tem água mansas e uma particularidade: o declive é de tal forma pouco pronunciado que, a caminhar mar adentro, o mais certo é cansar-se antes de perder o pé…

Do outro lado do monde da Guia avista, conforme referido, a cidade da Horta. Um dos primeiros pontos a atrair o olhar é a famosa doca de recreio. Memória do  tempo em que a ilha do Faial era uma escala importante na navegação transatlântica, os velejadores desportivos habituaram-se a deitar âncora aqui. Têm uma razão suplementar para o fazer. perto do molhe, o bar Peter’s (ou Café Sport), com o seu afamado gin, é ponto de encontro obrigatório. Há quem deixe nesta tão peculiar “caixa de correio” cartas para amigos cujos barcos ainda nem saíram dos portos originários, mas que, mais dia menos dia, passarão pelo Peter’s…

O nome de Horta podeerá vir do seu primeiro povoador, o holandês Josse van Huerter. A aldeia passou a vila em finais do século XV e, a partir de 1808, com a chegada do cônsul americano Dabney, a vida comercial animou-se, com a construção de armazéns e estaleiros que trabalhavam para a frota baleeira.

Outra atividade florescente nessa altura era a exportação de laranjas e do vinho do Pico. Com os faialenses a tomarem o partido dos liberais, a Horta ascende a cidade em 1833.

O cais comercial foi construído em 1876 e, à medida que os vapores ganhavam terreno aos veleiros, o porto começou a ganhar importância como escala para reabastecimento. Em 1893, começa a odisseia dos cabos telegráficos submarinos, que atravessavam o Atlântico roçando os fundos oceânicos.

Se Dabney deixou a sua marca no desenvolvimento urbano da Horta, estes recém-chegados – os técnicos ingleses e alemães ligados à colocação e gestão dos cabos – vão também marcar a configuração da cidade: as casas da Rua Cônsul Dabney, no primeiro caso e o atual Hotel Fayal e a escola preparatória no segundo.

Lá do alto ressalta a simplicidade da estrutura urbana da urbe. Desenvolve-se ao longo de um percurso paralelo ao litoral, no fundo a antiga Rua Direita das cidades portuguesas, neste caso modernizada pela Avenida Marginal. É como que uma cidade de uma só rua, limitada nos dois extremos por duas elevações: o monte da Guia e a Espalamaca.

Da silhueta do aglomerado destacam-se três igrejas, todas com as respetivas torres viradas para o lado do mar. A mais imponente é a Igreja Matriz de São Salvador, situada no topo leste do centro histórico. É um antigo templo jesuíta, dedicado a Nossa senhora dos Prazeres, começado a construir em 1680, posteriormente alterado no século seguinte.

Outro ponto marcante da Avenida Marginal é o Castelo de Santa Cruz, fortaleza construída no século XVI para defender a localidade da pirataria e das frotas hostis e hoje adaptada a estalagem.”

in Guia Expresso, O Melhor de Portugal

 
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Publicado por em Junho 6, 2013 em Faial

 

Faial e Pico

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“Pico – A subida à montanha é o clímax. Vá com um guia, evidentemente. Atravesse o mistério da ilha pelo interior. Um banho no porto da Calheta do Nesquim não esquece mais. Na volta à ilha – por todo o lado – por todo o lado da fúria da vegetação a explodir por entre as pedras negras – não faltam miradouros, mas não perca o da Terra Alta; e, nas Lajes, o Museu dos Baleeiros e uma saída de barco a ver baleias.

Faial – A Horta é de uma finura simples. Microcosmo cosmopolita. (Não é só o Peter’s). É mais fotogénica do alto do monte da Guia, do monte Carneiro, ou do alto da Espalamaca, o lugar clássico. Uma madrugada eu vi dali o mais belo espetáculo da minha vida: o nascer do sol por detrás do Pico, com S. Jorge e a Graciosa ao fundo. Já posso dispensar auroras boreais. Os Capelinhos são um espetáculo lunar legado pelo vulcão. Ali percebe-se como se fizeram as ilhas. Aos poucos o verde vai triunfando sobre as cinzas.”

in Açores, um olhar, Onésimo Teotónio de Almeida

 
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Publicado por em Junho 6, 2012 em Faial, Pico

 

Na Ilha Azul

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Fotos de  Quartos para férias na Matriz, Horta, Faial

José Quitério

(in Expresso, 19 de Junho 1993)

Já percebi o que as nove ilhas tem de mais belo e as completa é a ilha que está em frente. Se esta perceção de Raúl Brandão (em As Ilhas Desconhecidas, 1962) se pode aplicar a muitas delas, a nenhuma se cola com mais evidência do que ao Faial. É o Pico, a ilha e a montanha mágica, do outro lado do Canal. Ainda o impressionismo brandoniano: A outra coisa que exerce aqui uma verdadeira fascinação é o Pico – tão longe que a luz o trespassa, tão perto que quer entrar por todas as portas dentro. Na verdade, parece um efeito mágico de luz, um fantasma posto aí de propósito para nos iludir e mais nada. Toma todas as cores: agora está violeta, logo está rubro. A cada momento uma nova transformação. Todo o céu dourado e o Pico roxo. Tarde e a lua enorme a nascer por trás daquele paredão imenso que chega ao céu. É majestoso e magnético. Está ali presente como um vagalhão que vai desabar sobre o Faial.

Numa rápida viagem ao redor da ilha – 21 quilómetros de comprimento e 14 de largura máxima, superfície de 173 quilómetros quadrados -, saia-se da Horta para norte e suba-se ao morro da Espalamaca, com pitorescos moinhos, bom miradouro sobre a cidade, o mar, as ilhas de São Jorge e Pico, e igualmente boa perspetiva sobre o verdejante vale dos Flamengos, onde se fixaram os primeiros povoadores. Siga-se para a Praia do Almoxarife, de amplo areal, e sucessivamente Pedro MiguelRibeirinha, SalãoCedros e, contornando a respetiva Ponta, a Fajã da Praia do Norte, donde se alcança a baía da Ribeira das Cabras, num trajeto ladeado por falésias de grande beleza, com campos de lava (“mistério”) e grandioso panorama da costa norte. Um saltinho e está-se na Ponta dos Capelinhos, local da formidável erupção vulcânica de 1957- 58, que criou uma ilhota que veio juntar-se à terra firme e arrasou casas e campos em redor. Lá está ainda, testemunha da catástrofe, o fantasmático e semidestruído farol, e lá existe um curioso museu documentativo da calamidade vulcanológica.

O regresso é mais cordato, passando-se por Varadouro, centro da vigiliatura em termas e piscina natural entre rochedos, Castelo Branco com a sua Ponta e consequente promontório (o aeroporto fica perto), Feteira, de costa guarnecida de grutas e furnas marinhas, finalmente o Monte da Guia, sobranceiro à Horta que está ligado pelo Monte Queimado e estreito istmo, com suas admiráveis Caldeirinhas, sua reputada Ermida e sua paisagem protegida.

Em qualquer altura é fundamental ir-se ao meio da ilha para a visão da Caldeira,, cone vulcânico com uma enorme cratera – 1 450 metros de diâmetro e 400 de profundidade -, revestida de cedros, zimbros, faias, fetos e musgos, obviamente reserva natural. Perto, o Cabeço Gordo, com 1 043 metros, outro magnífico miradouro desta e doutras ilhas.

Melhor que falar da cidade da Horta é percorrê-la placidamente. E, para além do traçado e dos monumentos, mas com a ajuda das pinturas do paredão da doca, facilmente nos apercebemos de um certo caráter cosmopolita que lhe enforma a alma. Nada de admirar. O seu fundador foi o flamengo Josse van Huerter (donde derivam Horta, Utra, Dutra); no século XIX, os estrangeiros foram trazidos pelo cônsul norte-a,americano John Dabney que marcou, mais os sucessores, toda a centúria; no princípio do nosso século XX foram os franceses, ingleses e alemães que pertenciam às companhias de cabos submarinos; depois, de 1936 a 1945, os hidroaviões a fazerem escala por aqui; sempre, veleiros e iates das mais variadas nacionalidades a procurarem abrigo do porto.

Com ou sem sede, é imprescindível visitar o Café Sport, ou Peter’s, o bar mítico da cidade. Ponto de encontro dos iatistas de todo o mundo que dele fazem posto de correio e de câmbios, agência de informações e porto de auxílios vários, ao seu proprietário prestimoso, José de Azevedo (a quem há muitos anos um inglês crismou de Peter), se deve o fabuloso Museu Scrimshaw, no primeiro andar, riquíssima coleção de gravações em dente e osso de baleia. Parece mal sair-se sem lá tomar ao menos um gin-tónico.

De longada agora até às muralhas do Porto Pim e ao Pasteleiro. Tão falado este no Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio – fucava por lá a quinta dos Dulmos, e João Garcia chega a proclamar: O Pasteleiro é a volta dos tristes do Faial… Bastam uns meses longe para a gente ter saudade disto.”

 
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Publicado por em Maio 26, 2012 em Faial

 

Terra flutuante

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(crédito de imagem – Hélio Sales)

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“Há quem diga que, em breve, dos Capelinhos apenas restará um pequeno ilhéu de lava, como um dos da Madalena para o outro lado, o deitado ou o em pé; como tantos outros pelo mar litoral; ao alcance da terra flutuante ou no alto oceano, como o das Formigas, o meu mais ansiado segredo açoriano. Outros, porém, talvez menos empíricos, afirmam que não deve haver muito maior diminuição do terreno eruptivo além da que já houve e que foi muito vasta: haverá um esqueleto de basalto expelido pelo vulcão que liga a cratera principal à ilha. Não é apenas cinza vulcânica e assim terá o Faial do futuro uma pequena península mais onde recomecem os montões dos assoreamentos, a queda de materiais piroclásticos, a dejecção desse animal a que chamamos penedia, o seu transporte por instrumentos de vento e água e qualquer cobertura arbórea sustendo as vertentes com materiais tombados de todo o lado do pequeno mundo, por pobres praias de pedra-pomes erodida. As lavas escoriáceas chamadas “biscoitos”, as brechas, os pomitos, aliados aos tufos, às escorias,ao lapílis, continuarão a falar-nos não apenas destes frescos vulcões, mas também de outros bem recentes de que podemos ter memória, os já observados a partir dos primeiros povoadores.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 em Faial

 

Entre o Pico e o Faial

 
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Publicado por em Setembro 14, 2011 em Faial, Pico

 

Singularidades

 

 
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Publicado por em Junho 27, 2010 em Faial, Pico, São Miguel