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Arquivo da Categoria: Açores

Açores

 
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Publicado por em Novembro 26, 2013 em Açores

 

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Publicado por em Julho 7, 2013 em Açores

 

Inspira a tua vida

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“A revista Condé Nast Traveler anuncia, na capa de julho, um texto sobre as vinte mais belas ilhas do mundo. Apeteceu-me perguntar quais seriam as outras onze. Mas tratava-se de resultados de um inquérito a leitores – contaram critérios de popularidade e a maioria dos votos inevitavelmente contempla as ilhas mais visitadas. Não esperava de resto encontrar nenhuma dos Açores, ainda hoje um bem guardado segredo. Nesta lista, porém, de que conheço razoavelmente umas dez, bem poderiam figurar algumas açorianas. Mas se o clima tantas vezes trombudo e caprichoso não tem colaborado no turismo, tem ao menos garantido a preservação de uma das últimas reservas naturais da Europa Ocidental. William Buckley, em Atlantic High, conta do pasmo ante a sua descoberta das ilhas. Velejador dos quatro oceanos, sentiu-se à vontade para soltar a subjetividade declarando-as as mais belas do mundo. Não há muito, Bill Strubbe, em The New York Times, descreveu os Açores como um cruzamento entre a Irlanda, a Nova Zelândia e o Havai. Não era preciso socorrer-me de argumentos de autoridade estrangeira. Raúl Brandão vale bem em prole de escritores de viagem. As Ilhas Desconhecidas, pelos açorianos adotado como seu, é, ainda boa leitura de vésperas de partida.

Hoje, para a metrópole, o arquipélago não é mais uma distante lembrança, desconfiada desse namoro constante com a América. E sê-lo-á cada vez menos porque, entregue Macau, do império não restará mais que o manto diáfano da lusofonia e os dois arquipélagos ao pé da porta. Que recomendações fazer a quem nunca lá foi?

Comece por fazer o seu percurso de caloiro, visitando os lugares cliché.

  • Em São Miguel, as Furnas (caldeiras e parque) as Sete Cidades, a Lagoa do Fogo e as estufas de ananases;
  • na Terceira, Angra;
  • depois, a Horta, no Faial e as vistas sobre o Pico.

Nos Açores de hoje descobriram-se também os passeios a pé, o montanhismo, os desportos náuticos, a arqueologia submarina. Indague em cada ilha. Se for para descansar, descanse sem parar exatamente a fazer tudo isso. Se lhe restar algum tempo acordado, descubra os autores açorianos. Hoje as ilhas quase produzem mais literatura do que cereais ou pastel no tempo das descobertas. Ajudá-lo-ão nessa outra viagem aos Açores profundos. Depois desta, inicática, aqui sugerida, estará então aprovado para descobri-los por si próprio.”

in Açores, um olhar, Onésimo Teotónio de Almeida

 
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Publicado por em Maio 15, 2013 em Açores

 

Açores – uma geografia mágica

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Vicente Jorge Silva

in Público, Junho 1997

Terça feira, 24

“Açores? Já fui a oito ilhas, só não conheço a Graciosa.” Habituei-me com esta fórmula a exibir o meu invejável estatuto de viajante insular junto dos amigos – especialmente, como é óbvio, dos açorianos – que não podiam gabar-se de tal recorde. E era com um misto de incredulidade e ciúme que reagia a desempenhos superiores ao meu: “Açores? Eu conheço as ilhas todas. E a Graciosa, uma beleza…”

Não foi ainda desta vez que pus os pés na Graciosa e visitei a tal fantástica lagoa interior de que os privilegiados conhecedores me tem falado. Em todo o caso, jurei a mim mesmo nunca mais repetir a pose patética de maratonista dos Açores. Que significa ter viajado por oito ou nove ilhas quando cada viagem é a primeira e há sempre um enigma à nossa espera na face submersa de cada lugar? No fundo, até aqueles sítios que são mais familiares acabam por trazer-nos revelações surpreendentes. É como se o espaço crescesse indefinidamente, num “big bang” de descobertas sucessivas, através dessa geografia mágica que o mito da Atlântida fez explodir em nove pequenos mundos no meio do mar.

Dei-me conta no Faial, uma ilha que julgava conhecer razoavelmente, que nunca estivera nos Capelinhos. Como foi possível tal escândalo de ligeireza? Como não ter corrido, logo na primeira vez, ao encontro desse fragmento cósmico que, a partir das ruínas de um farol – perturbante como nenhum outro -, se estende como uma esfinge nascida do fogo atlântico? Os Capelinhos são muito mais do que o último vulcão dos Açores. Sob essa lava jovem de quarenta anos (foi em 1957 -58 que a erupção aconteceu) podemos viajar como o primeiro homem sobre a Terra, o primeiro astronauta que desceu na Lua ou aquele que irá desembarcar um dia na desolação vermelha de Marte.

Imaginemos então que os Açores não são nove ilhas mas uma só, uma espécie de continente virtual, uma nova Atlântida onde vamos compondo o puzzle dos lugares que o mar separou e nós pacientemente juntamos por afinidades ou contrastes, uma paisagem interativa. Dos Capelinhos, passo, sem transições para São Miguel – uma ilha que julgava conhecer bem e de que o meu amigo Carlos Medeiros me revelou insuspeitados segredos – e entro diretamente na atmosfera surreal de umas termas abandonadas à beira-mar, uma cratera, uma casa branca, duas araucárias.

Na baía da Caloura à noite, com a sua velha piscina fantasmagórica, sinto-me transportado para um verão do pós-guerra, o fim da infância nos anos 50. Salto por cima do tempo, anos 90 a acabar: outra piscina, destruída pelo último temporal, uma moradia moderna de basalto e vidro apontada ao mar agreste.

Deixo-me então perder no labirinto urbano de Angra, a Horta e Ponta Delgada se entrecruzam ( e eu que, horrorizado com a medonha marginal da capital micaelense, não soubera até agora desfrutar daquelas ruas estreitas e brancas onde bate o coração da cidade!)

A digressão poderia continuar num jogo interminável de imagens: florestas, caminhos selvagens de montanha, jardins tropicais (haverá outro mais belo na Europa do que o do hotel Terra Nostra, nas Furnas?) as caldeiras, as fumarolas, a água oxidada das piscinas, a terra viva e a crepitar dos abismos. E esse lugar absolutamente mágico, cenários de uns encontros imediatos de terceiro grau, que é a Lagoa do Fogo. (…)

Por incrível que possa parecer, numa terra onde a imagem do abandono é a primeira que nos acolhe, Santa Maria é talvez a terra portuguesa onde a paisagem rural está mais exemplarmente preservada. Casas caiadas de branco e debruadas a azul, verde, carmesim, com suas chaminés e telhados impecavelmente conservados ou reconstruídos, pontuam harmoniosamente as encostas do interior ou as falésias sobre o mar (a baía de São Lourenço, com as vinhas em socalcos e a aldeia debruçada sobre as pequenas praias de areia branca, é um espanto). (…) Mas isto não é tudo: circula-se pelas estradas da ilha em verdadeiros tapetes de veludo betuminoso, numa viagem de prazeres calmos e suaves como a paisagem solicita.

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Publicado por em Maio 27, 2012 em Açores

 

Viola da terra ou de arame

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“Uma viola da terra, dessas de pequeno enfranque, fez ouvir os seus arames. Alguém por certo antigo lhe corria o braço de bom cerne, talvez em preparação de qualquer cantiga para a festa de um Império. Imaginava-a com rabeca e ferrinhos e pandeiro com folias de rua, mas não, logo parava, para hesitar num redobro e depois partir para o seu repicado cantochão sozinho.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 em Açores

 

Fogo solto

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(crédito de imagem – Hélio Sales)

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“A montanha tem grande parte dos seus dentros amontoados de bagacina. (…) A bagacina não passa de fogo que secou e ficou solto, fogo que era um mar que deu daquela areia. Como se o mar e o fogo dessem alguma coisa: arrancam, fundem, desfundam, destroiem e depois deleitamo-nos sem nos pensarmos assujeitados, liquefeitos, mineralizados, qualquer coisa puxando-nos para lugares onde romperemos em outras matérias que já nem sabem que somos nós.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 em Açores

 

Chamarrita + Sapateia = Chamateia

 

 
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Publicado por em Março 9, 2011 em Açores