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15 Maio

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“A revista Condé Nast Traveler anuncia, na capa de julho, um texto sobre as vinte mais belas ilhas do mundo. Apeteceu-me perguntar quais seriam as outras onze. Mas tratava-se de resultados de um inquérito a leitores – contaram critérios de popularidade e a maioria dos votos inevitavelmente contempla as ilhas mais visitadas. Não esperava de resto encontrar nenhuma dos Açores, ainda hoje um bem guardado segredo. Nesta lista, porém, de que conheço razoavelmente umas dez, bem poderiam figurar algumas açorianas. Mas se o clima tantas vezes trombudo e caprichoso não tem colaborado no turismo, tem ao menos garantido a preservação de uma das últimas reservas naturais da Europa Ocidental. William Buckley, em Atlantic High, conta do pasmo ante a sua descoberta das ilhas. Velejador dos quatro oceanos, sentiu-se à vontade para soltar a subjetividade declarando-as as mais belas do mundo. Não há muito, Bill Strubbe, em The New York Times, descreveu os Açores como um cruzamento entre a Irlanda, a Nova Zelândia e o Havai. Não era preciso socorrer-me de argumentos de autoridade estrangeira. Raúl Brandão vale bem em prole de escritores de viagem. As Ilhas Desconhecidas, pelos açorianos adotado como seu, é, ainda boa leitura de vésperas de partida.

Hoje, para a metrópole, o arquipélago não é mais uma distante lembrança, desconfiada desse namoro constante com a América. E sê-lo-á cada vez menos porque, entregue Macau, do império não restará mais que o manto diáfano da lusofonia e os dois arquipélagos ao pé da porta. Que recomendações fazer a quem nunca lá foi?

Comece por fazer o seu percurso de caloiro, visitando os lugares cliché.

  • Em São Miguel, as Furnas (caldeiras e parque) as Sete Cidades, a Lagoa do Fogo e as estufas de ananases;
  • na Terceira, Angra;
  • depois, a Horta, no Faial e as vistas sobre o Pico.

Nos Açores de hoje descobriram-se também os passeios a pé, o montanhismo, os desportos náuticos, a arqueologia submarina. Indague em cada ilha. Se for para descansar, descanse sem parar exatamente a fazer tudo isso. Se lhe restar algum tempo acordado, descubra os autores açorianos. Hoje as ilhas quase produzem mais literatura do que cereais ou pastel no tempo das descobertas. Ajudá-lo-ão nessa outra viagem aos Açores profundos. Depois desta, inicática, aqui sugerida, estará então aprovado para descobri-los por si próprio.”

in Açores, um olhar, Onésimo Teotónio de Almeida

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Publicado por em Maio 15, 2013 em Açores

 

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