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Terra flutuante

01 Out

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(crédito de imagem – Hélio Sales)

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“Há quem diga que, em breve, dos Capelinhos apenas restará um pequeno ilhéu de lava, como um dos da Madalena para o outro lado, o deitado ou o em pé; como tantos outros pelo mar litoral; ao alcance da terra flutuante ou no alto oceano, como o das Formigas, o meu mais ansiado segredo açoriano. Outros, porém, talvez menos empíricos, afirmam que não deve haver muito maior diminuição do terreno eruptivo além da que já houve e que foi muito vasta: haverá um esqueleto de basalto expelido pelo vulcão que liga a cratera principal à ilha. Não é apenas cinza vulcânica e assim terá o Faial do futuro uma pequena península mais onde recomecem os montões dos assoreamentos, a queda de materiais piroclásticos, a dejecção desse animal a que chamamos penedia, o seu transporte por instrumentos de vento e água e qualquer cobertura arbórea sustendo as vertentes com materiais tombados de todo o lado do pequeno mundo, por pobres praias de pedra-pomes erodida. As lavas escoriáceas chamadas “biscoitos”, as brechas, os pomitos, aliados aos tufos, às escorias,ao lapílis, continuarão a falar-nos não apenas destes frescos vulcões, mas também de outros bem recentes de que podemos ter memória, os já observados a partir dos primeiros povoadores.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

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Publicado por em Outubro 1, 2011 em Faial

 

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