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Sabores dos Açores I

Bolo

* Bolo – pão regional tendido em forma de bolacha com 2cm de espessura e cerca de pouco mais de um palmo de diâmetro. É de massa de milho tomada com água a ferver, temperada de sal. Cozido no forno ou no tijolo. Primitivamente era cozido sobre uma laje que se aquecia pela acção do lume forte de uma fogueira.

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“Nas longas noites de Inverno, também eram longos os serões da minha infância. Começavam cedo, logo de pois da ceia, comidas as sopas de leite ou bebido o chá com fatias de “bolo”* e queijo.”

(Fernando Melo, Fragmentos da Memória)

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Amoras

“Era em pleno Verão, quando o sol já tinha enegrecido as amoras silvestres, pendentes em cachos das pontas dos brejos* ao longo do mistério* que limita a freguesia. Era o tempo das tardes soalheiras em que nós, os mais novos, pisando a aridez da pedra queimada e coberta de urzela, íamos colher aqueles frutos pretos, que por milagre ali se criavam, doces, mais doces que um torrão de açúcar. (…)

Por mim, àquela hora, só pensava no regresso a casa e na grossa fatia de pão fresco, coberta das pequenas bolas negras, que minha mãe polvilhava de açúcar.”

(Fernando Melo, Fragmentos da Memória)

* Brejos – silvados; * Mistério – terreno de lava

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Tabaco

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Tabaco

(crédito de imagem: Willy Heinzelmann)

Tabaco prestes a ser colhido e folhas penduradas para a secagem e destinadas exclusivamente ao consumo local.

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“Fumei um Cogiva, digna cigarrilha que a boa Fábrica de Tabacos Micaelense distribui pelos postos de venda de tabacos nas ilhas ao preço mais que módico de 950 escudos por uma caixinha de cinquenta exemplares – caixinha, diga-se, de madeira, marcada a ferro e com o belo selo da casa no interior. É um tabaco de meia secagem, de origem micaelense e de boa qualidade. Fumam-se devagar, os Cogiva, de preferência ao fim da manhã, depois do cafezinho que interrompe o primeiro ciclo laboral, ou após uma refeição pouco empenhada.”

(Francisco José Viegas, LER, Verão 1994 nº27)

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“Deixou-me sobre o vidro da mesa

um maço de tabaco. Boa-Viagem

assim se chamava e ficou, à laia

de saudação com as nove ilhas

desenhadas sobre um fundo de

ondas, azul e branco. E eu

já levava no bolso um maço de Além-Mar

planisfério aberto

desde os Açores

às velas portuguesa, branco e azul.”

(João Miguel Fernandes Jorge, “Café Royal”, in Terra Nostra)

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Vinhas (Ilha do Pico)

As castas são plantadas em fendas no basalto, protegidas por muros de pedra vulcânica solta, a escassos metros do mar, e até a uma altitude de 100 metros. Constituem uma paisagem única, classificada em 2004 como Património da Humanidade, pela UNESCO.

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Estufa de ananás1(crédito de imagem: Isabel Pires)

Estufa de ananás2(crédito de imagem: Isabel Pires)

O recurso ao fumo durante oito meses permite que as plantas floresçam em simultâneo.

Estufa de ananás3

(crédito de imagem: Cinco Quartos de Laranja)

Ananás(crédito de imagem: Willy Heinzelmann)

Ananás – de uma ponta de raiz sai um rebento que só quase dois anos depois dará o fruto amadurecido e perfumado.

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Uma resposta a Sabores dos Açores I

  1. Dario Gatto

    Novembro 2, 2009 at 10:13 pm

    Ola, parabéns ficou muito bonito seu novo blog.

     

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