Fogo

“Algumas das grandes erupções ocorridas em tempos históricos gravaram-se profundamente na memórias das populações insulares. Semelhantes convulsões, acompanhadas de tremendas enchentes de mar, chegaram a levantar efémeras ilhotas costeiras. (…)
Alguns terramotos mais violentos chegaram a fazer ruir vilas inteiras. Apesar porém deste velho aparato telúrico, a sismicidade dos Açores é benigna; e as populações, à parte um ou duas catástrofes com vítimas de morte, já remotas, tiram deles apenas o cenário majestoso do seu solo e um certo instinto do “mistério” e do carácter precário da existência.”
(Vitorino Nemésio, Corsário das Ilhas)
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“Mas a maravilha do vulcanismo açoriano é as Furnas da ilha de São Miguel, com as suas sulfuratas, salsa e mofetas prodigiosas, os seus géiseres ou “caldeiras” fumegantes, as suas águas carbonatadas sódicas e mistas, que brotam em cachão e são capazes de cozer “inhame” das margens e a galinha dos piqueniques.
Os nomes populares micaelenses traduzem o espanto que elas causam: a Caldeira dos Tambores com as suas águas tonitruantes, as Quenturas, a Camarça, Pero Botelho, Asmodeu. (…)




Em semelhante moldura, tépida, gris e cambiante, debaixo de céus raro límpidos mas onde os rasgões de azul ganham tons opalinos de uma doçura de sonho, é fácil conceber a paisagem dantesca das Furnas, mas de um Dante que descansou dos círculos do Inferno na pintura do Paraíso.”
(Vitorino Nemésio, Corsário das Ilhas)







