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(crédito de imagem – Hélio Sales)
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“Havia dias em que via o manso e malhado e percorrido de correntes e percebia que o deviam apequenar os efeitos da refracção da luz e alinha quebrada por reentrâncias terrestres que se interpunham no horizonte da água. Esmagava as sementes de funcho entre o polegar e o indicador, cheirava o tegumento de massa branca e julgava que todo o campo salteado de salsaparrilha e feno e restos secos de labaças tinha o cheiro anisado e amarelo que subia dos tufos mais secos das funcheiras, de que partiam rastos desses chorões de flor carmim a que chamam bálsamos. Era um mar de verão que consentia o encapotamento dos sentidos, apaziaguava, podia ser humedecido pelas malhas dos cômoros e pelo canto rasteiro das aves escuras por entre os vergões iluminados. Um mar verdadeiramente matinal, sem barcos, esquecido; o mesmo mar que no outono seguinte, como numa só noite foi suficiente para ver, faria desaparecer praias, parte de casas litorais, paredões de portos até.”
(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)



