“Algo de semelhante nos aconteceu na bem-amada Graciosa. Um grupo de pessoas tinha visivelmente saído dos empregos e ria-se em redor de uns copos de cerveja e de garrafas de água. Quando entrámos no café, passado um pouco, um deles – e nenhum deles interrompeu a conversa ou ficou a olhar para nós – veio ter connosco. ´Vieram no avião desta manhã? Hoje chegou bastante gente à ilha. Estão na estalagem? Espero que gostem. Se precisarem de qualquer ajuda, procurem-me. Estou na câmara nas horas de serviço.´ E, rindo-se, acrescentou com ironia: ´Sou o presidente.´Depois, a sério: ´Se precisarem de alguma coisa, ou se souberem de alguém que precise, avisem-me.´”
(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)