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Ilha das Flores
“Alheio às frentes e massas de ar marítimo, às quedas violentas de pressão sobre soitos e hortas desprotegidas, o basalto estriou em pedaços visíveis, turisticamente em verticais, vem nas fotografias mais aplaudidas, recusámo-nos a tirar uma sequer, nem que fosse à própria sombra (o Zé, às escondidas, não cumpriu o pacto, mas o Fatum fez-lhas completamente tremidas com a pressa quase improvável de ninguém dar pela traição), Não são essas rochas, como a dos Bordões, o que mais detém o amador de simplicidades mais secretas. Antes o facto de não haver fumarolas nem sulfaratas, essas “águas quentes” que há pelas outras ilhas, a não ser um breve lugar já dentro do oceano e só em maré vazia. Bem como a indecisão sísmica do mundo, manifestada nos últimos tempos quase de modo nenhum; só no “ano do abalo”, como me disseram alguns açorianos, provocou andanças violentas de marés.”
(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)