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Arquivo da Categoria: Clima

Algodões panorâmicos

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(crédito de imagem – Hélio Sales)

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“Ora suaves com mistura de sulfato, ora cor de vidro moído bordejado a enxofre. São uns algodões panorâmicos, móveis sobre os quatro cabos em que pousa a serra sobre o mar visto daqui. De araucárias e um pequeno bosque com metrosíderos e loendros, depois de limpam areias que findam em relvas e canaviais, posso erguer os olhos até onde a distância deixa ainda ver. E começam as faldas. Com redondos dobrados sobre redondos, pequenos vales pressentidos apenas pela suspensão das cores, ravinas que só alguma incidência de sol deixa adivinhar. Os rectângulos limosos encostam a novas geometrias de um azul vermelho, de um ocre quase roxo.

As sebes são rosa estivo, separam ao olhar cada pousio de vegetação e há uma certa melancolia em não poder distinguir as rosas bravas entrelaçando miríades hortenses, os hibiscos rubros receosos das conteiras daninhas, essa praga feérica que deveria calcar a nossa vida, recobri-la de húmidas florações empolgadas, apenas acometidas pelas vacas a quem, de quando em vez, libertam das amáveis grilhetas com que, no quebranto de filas nutricionais, as amarram ao chão.

Tudo isto não se vê nem se tem. É a serra que deixa imaginar. Sem casas além das fajãs, ou escondidas pelas moitas, ela vigia as estradas que, secretas, conduzem almas viandantes aos seus altos lugares. Aí encontraram as nuvens. e nada são. Parecem ter largado para mais acima, desfizeram-se em nódulos luminescentes no céu de um azul molhado, sem o esfaqueamento do calor. Outras vezes descem mais abaixo, vão ao encontro do grito dos boieiros e envolvem os olhos escurecidos num vapor absoluto, um desmaio da terra, os sentidos fechados na mera flutuação.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 in Clima

 

Céu dos Açores

Flores vista do Corvo(crédito de imagem: Isabel Pires)

Observa Raúl Brandão n’As Ilhas Desconhecidas a “luz delicada dos Açores”, o “céu dos Açores carregado de humidade”, como um quadro com “pequenos toques horizontais cor de chumbo”, a “luz discreta em que as coisas perdem importância e relevo.”

 
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Publicado por em Novembro 13, 2009 in Clima

 

Clima

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“Um céu de algodão sujo tolda o arquipélago das nove ilhas; o “mormaço” apaga os contornos do mar e da terra, e, amolecendo os pastos à custa da pele do proprietário e do pastor, dilui e arrasta as vontades, dá a homens e a coisas uma doença quase de alma, a que os ingleses, médicos do bem-estar, puseram uma etiqueta como quem descobre uma planta nova neste mundo seco e velho: azorean torpor.”

(Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal)

“A temperatura média anual é de 17º; a do mês mais frio 14º,3, nunca descendo abaixo dos 5º,6. Agosto é o mês mais quente, não excede 28º. Enfim, os cinco meses de temperatura superior à média sucedem sete meses abaixo dela, dos quais Janeiro, Fevereiro e Março desencadeiam um Inverno benigno e emborralhado. A pluviosidade concentra-se sobretudo desde Outubro, o mês dos raros mas espectaculares ciclones.

Com uma percentagem de humidade que oscila de 73 a 77, predominam os ventos de sudoeste e nordeste que previnem a Europa das surpresas eólicas que a esperam… É geralmente de um sudoeste húmido e borrascoso que se levantam, de raro em raro, esses rápidos e belos tufões de Outono.

Os céus cínzeos transtornam suavemente a linha dos cumes e das rochas, amaciando as perspectivas. Cresce um vago torpor da pressão atmosférica acentuada, e uma humidade rorejante desentranha da lava um cheiro vivo. Em suma – um clima atlântico, temperado, que hiberna docemente e tarde.”

(Vitorino Nemésio, Corsário das Ilhas)

 
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Publicado por em Novembro 2, 2009 in Clima

 
 
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