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Arquivo da Categoria: Açores

Açores – uma geografia mágica

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Vicente Jorge Silva

in Público, Junho 1997

Terça feira, 24

“Açores? Já fui a oito ilhas, só não conheço a Graciosa.” Habituei-me com esta fórmula a exibir o meu invejável estatuto de viajante insular junto dos amigos – especialmente, como é óbvio, dos açorianos – que não podiam gabar-se de tal recorde. E era com um misto de incredulidade e ciúme que reagia a desempenhos superiores ao meu: “Açores? Eu conheço as ilhas todas. E a Graciosa, uma beleza…”

Não foi ainda desta vez que pus os pés na Graciosa e visitei a tal fantástica lagoa interior de que os privilegiados conhecedores me tem falado. Em todo o caso, jurei a mim mesmo nunca mais repetir a pose patética de maratonista dos Açores. Que significa ter viajado por oito ou nove ilhas quando cada viagem é a primeira e há sempre um enigma à nossa espera na face submersa de cada lugar? No fundo, até aqueles sítios que são mais familiares acabam por trazer-nos revelações surpreendentes. É como se o espaço crescesse indefinidamente, num “big bang” de descobertas sucessivas, através dessa geografia mágica que o mito da Atlântida fez explodir em nove pequenos mundos no meio do mar.

Dei-me conta no Faial, uma ilha que julgava conhecer razoavelmente, que nunca estivera nos Capelinhos. Como foi possível tal escândalo de ligeireza? Como não ter corrido, logo na primeira vez, ao encontro desse fragmento cósmico que, a partir das ruínas de um farol – perturbante como nenhum outro -, se estende como uma esfinge nascida do fogo atlântico? Os Capelinhos são muito mais do que o último vulcão dos Açores. Sob essa lava jovem de quarenta anos (foi em 1957 -58 que a erupção aconteceu) podemos viajar como o primeiro homem sobre a Terra, o primeiro astronauta que desceu na Lua ou aquele que irá desembarcar um dia na desolação vermelha de Marte.

Imaginemos então que os Açores não são nove ilhas mas uma só, uma espécie de continente virtual, uma nova Atlântida onde vamos compondo o puzzle dos lugares que o mar separou e nós pacientemente juntamos por afinidades ou contrastes, uma paisagem interativa. Dos Capelinhos, passo, sem transições para São Miguel – uma ilha que julgava conhecer bem e de que o meu amigo Carlos Medeiros me revelou insuspeitados segredos – e entro diretamente na atmosfera surreal de umas termas abandonadas à beira-mar, uma cratera, uma casa branca, duas araucárias.

Na baía da Caloura à noite, com a sua velha piscina fantasmagórica, sinto-me transportado para um verão do pós-guerra, o fim da infância nos anos 50. Salto por cima do tempo, anos 90 a acabar: outra piscina, destruída pelo último temporal, uma moradia moderna de basalto e vidro apontada ao mar agreste.

Deixo-me então perder no labirinto urbano de Angra, a Horta e Ponta Delgada se entrecruzam ( e eu que, horrorizado com a medonha marginal da capital micaelense, não soubera até agora desfrutar daquelas ruas estreitas e brancas onde bate o coração da cidade!)

A digressão poderia continuar num jogo interminável de imagens: florestas, caminhos selvagens de montanha, jardins tropicais (haverá outro mais belo na Europa do que o do hotel Terra Nostra, nas Furnas?) as caldeiras, as fumarolas, a água oxidada das piscinas, a terra viva e a crepitar dos abismos. E esse lugar absolutamente mágico, cenários de uns encontros imediatos de terceiro grau, que é a Lagoa do Fogo. (…)

Por incrível que possa parecer, numa terra onde a imagem do abandono é a primeira que nos acolhe, Santa Maria é talvez a terra portuguesa onde a paisagem rural está mais exemplarmente preservada. Casas caiadas de branco e debruadas a azul, verde, carmesim, com suas chaminés e telhados impecavelmente conservados ou reconstruídos, pontuam harmoniosamente as encostas do interior ou as falésias sobre o mar (a baía de São Lourenço, com as vinhas em socalcos e a aldeia debruçada sobre as pequenas praias de areia branca, é um espanto). (…) Mas isto não é tudo: circula-se pelas estradas da ilha em verdadeiros tapetes de veludo betuminoso, numa viagem de prazeres calmos e suaves como a paisagem solicita.

 
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Publicado por em Maio 27, 2012 in Açores

 

Açores

 
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Publicado por em Maio 26, 2012 in Açores

 

Viola da terra ou de arame

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“Uma viola da terra, dessas de pequeno enfranque, fez ouvir os seus arames. Alguém por certo antigo lhe corria o braço de bom cerne, talvez em preparação de qualquer cantiga para a festa de um Império. Imaginava-a com rabeca e ferrinhos e pandeiro com folias de rua, mas não, logo parava, para hesitar num redobro e depois partir para o seu repicado cantochão sozinho.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 in Açores

 

Fogo solto

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(crédito de imagem – Hélio Sales)

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“A montanha tem grande parte dos seus dentros amontoados de bagacina. (…) A bagacina não passa de fogo que secou e ficou solto, fogo que era um mar que deu daquela areia. Como se o mar e o fogo dessem alguma coisa: arrancam, fundem, desfundam, destroiem e depois deleitamo-nos sem nos pensarmos assujeitados, liquefeitos, mineralizados, qualquer coisa puxando-nos para lugares onde romperemos em outras matérias que já nem sabem que somos nós.”

(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)

 
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Publicado por em Outubro 1, 2011 in Açores

 

Artesanato açoriano

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Publicado por em Junho 26, 2011 in Açores

 

Literatura Açoriana na Feira do Livro 2011

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Publicado por em Maio 14, 2011 in Açores

 

Chamarrita + Sapateia = Chamateia

 

 
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Publicado por em Março 9, 2011 in Açores

 

Ilha de São Miguel

 
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Publicado por em Dezembro 13, 2010 in Açores, São Miguel

 

Açores – 9 Ilhas

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“Partamos em demanda dos Açores. Mas, como descrever, em poucas linhas, esse ramalhete de terras (São Miguel, Santa Maria, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo) que formam o arquipélago a estreitar distâncias entre a Europa e a América, se tão diferenciadas entre si, na paisagem, usos e costumes?

Como transmitir ao leitor o panorama edénico das micaelense lagoa das Sete Cidade, vista do mirante vulcânico que a rodeia, tendo lá, no fundo abismo, os dois pequenos lagos (verdes as águas de um, azuis as do outro), entre renques de flores e campos tenros? E que contar do Vale das Furnas, das caldeiras ferventes, rugidoras, expulsando enxofre, como entranhas demoníacas da ilha mansa, oferecendo-nos, à superfície, o sorriso das hortências, a benignidade dos ares lavados?

E que palavras encontrar para dizer do ancestral heroísmo de Angra, aqueles touros furiosos afugentando o exército filipino, os “bravos” do Mindelo embarcando com o seu imperador para ocupar o Porto e Portugal? E do altíssimo Pico e suas praias de onde partem os intrépidos pescadores à saga da baleia, levando, decerto, no farnel, o “vinho de cheiro” que a ilha produz, aromático e leve? E do mimo dos seus doces de tradição tão portuguesa? Papos-de-anjo, rebuçados de ovos, queijadas de Vila Franca do Campo, cornucópias, fofos do Faial, camafeus. E da solenidades das suas festas religiosas, que evocar? Os impérios do Espírito Santo, da Pascoela ao Pentecostes, de ressonâncias medievais; a pompa e devoção dos festejos micaelenses ao Senhor Santo Cristo, coberto de ouro e pedrarias, que faz afluir à ilha o emigrante saudoso, radicado nos Estados Unidos (o Calafona da gíria local); a humildade dos romeiros quaresmais, descalços, na mão o terço piedoso e o duro pau ferrado para ajudar a peregrinação por caminhos e capelas, rezando (como escreve Côrtes Rodrigues) pela paz da nossa terra.

Não! Em poucas linhas não é possível falar do povo açoriano, trabalhador e sério, de refinada educação, entregue, por amor, ao cultivo dos seus campos, à exploração do seu mar. (E que também sabe divertir-se em dias de romaria, bailando a característica sapateia, em rodas bem marcadas.) Não! Em poucas linhas não se abarca estas nove ilhas simbolizadas por nove estrelas (tão exactamente!) na bandeira que a todos representa, onde paira o açor que lhes deu o nome. Silêncio, então.”

(António Manuel Couto Viana)

 
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Publicado por em Agosto 4, 2010 in Açores

 

A Sedução das Ilhas

 
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Publicado por em Julho 16, 2010 in Açores

 
 
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