Água
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(crédito de imagem – Hélio Sales)
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“Talvez por o mar ser o oceano. Algo de que se sente em excesso a intransponibilidade, mesmo quando se trata de içar qualquer vela ou acender o motor para chegar a uma ilha mais próxima por fossas longínquas de vagas. Nunca se sente nos Açores a mesma intensidade de relação com o mar que existe em outras ilhas de mar não oceano, como as mediterrânicas, já que de outras partes do mundo não posso dar exemplo. aliás, compare-se qualquer poema com mar de Nemésio a outro poema com mar de Seferis, um quase contemporâneo seu, até certo ponto marcado pela mesma mesma época literária. O que no grego é físico, sofrimento, total responsabilidade histórica é no açoriano uma componente metafísica, um adereço com histórias de que precisa para acentuar motivos que são da terra e à terra voltam.”
(Joaquim Manuel Magalhães, Do Corvo a Santa Maria, 1993)
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Correspondência ao Mar
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Quando penso no mar
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar;
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De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória.
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Sinto a terra na força dos meus pulsos:
O mais é mar, que o remo indica,
E o bombeado do céu cheio de mastros avulsos.
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Eu, ali, uma coisa imaginada
Que o Eterno pica,
Vou na onda, de tempo carregada,
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E desenrolo…
Sou movimento e terra delineada,
Impulso e sal de pólo a pólo.
(Vitorino Nemésio)